 | De todos os dias | |
(AUTOPSICOGRAFIA)
O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração.
Fernando Pessoa
Ah coração! Tu que vives a palpitar cantando Insultando meu bem amado Serenamente blasfemas calado Na confusão de meus pensamentos ... E no grito de minhas palavras
Ah coração! Tu conhecestes ontem o amor Já queres fazer-me desistir? Não. Não conseguirás persuadir Nem destruir este campo de flores ...Que meus olhos veem
Ah coração! Tu fostes cativado lentamente Sempre negastes a verdade Mostrando-se ser um mero covarde Correndo de contro ao teu medo ... Do feitiço da ilusão
Ah coração! Deixa o corpo que vives arriscar Que seja sorte ou revés Mas não te arrependas se através Deste amor entrares em descompasso
Bobo coração! Que na minha boca de beijos mudos e suaves e calmos Que no corpo aveludado justo e misterioso e seguro
Entrega-te de olhos fechados Com respiração ofegante E deslumbres do verdadeiro amor ... De outro corpo
Marília Araújo Reül
Meu blog está um pouco sem alma faz alguns meses...Espero poder doar um pouco de poesia e prosa nesses próximos dias, em que está chegando minhas férias da faculdade... Para mim, escrever , quer dizer, rabiscar alguns versos, foi um mau necessário... E sempre para transformar sentimentos, imagens - principalmente observações cotidianas, em simples palavras...
Prometo que em breve, voltarei! Obrigada pelas mensagens que me enviaram, dizendo que estavam com 'saudades' de minhas atualizações...Que sempre vinham no meu blog ver se tinha algo novo... Obrigada pelo carinho imenso!
^^
Beijos e até breve.
Concretização de um desejo; Atração reversa aos sentimentos que ficou. O que tudo foi planejado, sonhado, com acompanhamento de músicas - desmonorou. Pensamentos que querem divagar pelos teus, saber o que sentes depois daquela noite de tantas surpresas, mais do que inesperadas. Que queres de mim? Que eu desperte todo aquilo que um dia senti por ti? Que eu ataque fogo em algo que já está em brasa? Cuidado ao tocar profundamente alguém que tanto já te declarou os mais singelos - eu te amo. - na espera - quem sabe na volta... De teus passos em meu caminho. Marília Araújo Reül
Pessoas que estão no bloqueio impedindo meu crescimento. Desfaço minha alegria e a guardo novamente naquela caixa preta, cavando o mesmo buraco, abaixo da minha nostalgia - que agora predomina outra vez. Lágrimas tornaram-se tão comuns, que elas já não querem mais percorrer os mesmos traços do meu rosto - que aos poucos são modificados pelo tempo - estou ficando velha. Solitariamente sigo meus dias rotineiros, sem expectativas, sem surpresas. Hoje, é aquele futuro que planejei há uns 5 anos. Nada do que eu queria teve êxito, a não ser as coisas que os OUTROS queriam que eu fizesse. Será sempre assim? Cansaço vai chegando tão lentamente quanto estes dias cinzas, acumulando-se na memória de uma vida tão cheia de palavras [...] vida que me fala em versos, que cantarola na melodia de sempre, no mesmo dó daquele velho piano no quartinho escuro - Vida retórica. Vida sem vida. E eu, que tantas vezes já abri minhas asas, mas sempre chega alguém e as segura pelas pontas dos dedos e diz: - Hoje não é seu dia para dar um passeio. Mas eu quero viver, intensamente, não tenho tempo para passeios, tenho que recuperar o tempo perdido pelo seu egoísmo que não me deixa partir. Agora, restam duas saídas – continuar sendo um fantoche em que todos querem escrever meu destino. Ou fugir sem sentir a falta de olhar para trás? Eu – planejando fugir Bloqueio – futuramente riscado de meu dicionário Meu destino – Ansiosamente pronta para escrever com minha próprias mãos Marília Araújo Reul
 | kiss me | Jul 23, '10 7:52 PM for everyone |
Que inquietude, a minha. A de querer-te. Pensamentos que querem invadir os teus e saber se estou lá, em algumas horas do teu dia. Caminhos cruzados três vezes: conhecimento, provatório, atração. Perdidamente, busco-te, encontrando tão somente diante de uma puta tecnologia. Dane-se. Quero estar ao teu lado. Vida pede para ter calma, pede para sumir por uns tempos - Ele vai de contro a ti. Se por acaso, esquecer-te do encontro é porque nunca fostes lembrada. Eu, com razão - cai fora dessa. O amor, me evita - Sério. Mim mesma que transborda pela última lágrima - Desistir. Mais um ensaio.
Cidade que faz-me velha Alérgica ao aroma de café passado esnobar de outros: pedir um expresso quente - deixá-lo esfriar. ando, cansada dos contra-tempos. que tempos! ando, procurando flores pelo asfalto. Marília Araújo Reül
Vingança esboçada cálculos exatos não saem da cabeça
Decepção plena mata esta alma condena
Passos perseguidos pela madrugada mistérios indefinidos
Silêncio atordoa de repente fez indagação
O que isto lhe significa?
Não sei se é possívelrecitar-te meus sentimentos que invadem meu ar pondo asas aos meus contentamentos
aroma que é imiscível a qualquer rosa que cerca-me caloroso desencontro - horas aqui, horas ali in - possibilidade de ver-te
pensamento que divaga oponível - aos teus passos mas que nos sonhos ou em rostos desconhecidos (de alguma forma estás) imagino, vejo, tateio - o vento que desenha teu sorriso
não sei não sei recitar meus sentimentos à ti algo fica sem nexo algo fica incompleto
porque amar não há entendimento e amo-te lentamente, acompanhando o pôr do sol e se nuvens aparecem no horizonte fecho meus olhos - e novamente imagino-te acenando a mão dizendo:
em breve sentirás meu amor ao lado teu.
Marília Araújo Reul
 | . | Dec 15, '09 9:45 PM for everyone |
de dia, desapareço - olhos-metade pela janela do quarto brinco de ser sombra, de noite - do alto te acompanho minuciosa te persigo, silenciosamente te miro e mirando aprendo teus passos vividos teu sorriso que me arrepia - vencendo prantos meus. me aproximo de mansinho e com a quietude e o eco de meu coração te grito: estou te amando... M.A.R.
 | Falta | Sep 11, '09 1:08 PM for everyone |
Falta o teu cheiro - Que deu espaço a este asco da solidão Falta um pedaço do teu abraço - Que deu espaço ao desespero Falta um pedaço do teu sorriso - Que deu espaço à lagrima que ninguém a vê Falta um pedaço do teu verso - Que deu espaço à falta de rima na minha vida Falta o fim do teu cochicho - Que deu espaço à curiosidade Falta teu delírio, loucamente apaixonado Falta um - não sei o que - Que mesmo explicando, não se entende. Marília Araújo Reül
Abre um vinho tinto para aquele momento Disfarçando o amargo do primeiro gole Vou à procura de um cd na estante Dançamos no vazio da sala Lábios vermelhos : era do vinho ou puro sangue que fervia? Gargalhei por um tropeço no ar caí sobre seu corpo Olhares fixos,plenos, distantes... Que coisa louca. Beijos, sussurros, arrochos. Fui pra cama com um (quase) amigo. -. Marília Araújo Reül
- Amado, queres realmente saber o motivo de não mais querer-te?
Perguntes às horas; Perguntes àquele pássaro amarelo; Perguntes à precisão; Perguntes às noites que chorei; Perguntes aos dias vagos; Perguntes às palavras; Perguntes a tudo que foge, que passa e escapa, à fugacidade.
''tudo que foge''
Perguntes a tu mesmo. Encontrarás o motivo. E além deste, todo o meu sentimento que em ti despejei - empoeirado.
Agora, pergunto-te: Por que fugistes?
Hoje, ninguém vê as lágrimas que caem por detrás desta mulher que sorri. Soluçando perenemente, querendo decepar-se por completo. Ninguém vê as lágrimas da coragem, que derramo na esperança de ter de voltar meu rosto-amado. Ninguém vê as lágrimas, quando procuro pela eterna promessa recebida do amor incondicional. Ninguém vê as lágrimas, nas horas em que contorno com minhas mãos teu corpo desnudo, suado de ilusões - invisível.
E ainda quando penso nas chances que confiei em dar-te... Navego na correnteza de minhas lágrimas imperdoáveis. Sem direção, sem destino.
M.A.R.
03/01/2007
Frutas amargas. Frutas sem sabor Sujam o chão da sociedade Inesquecível odor de covardia. Pessoas apodrecendo. Recusando companhia Em cantos escuros - O que fazendo? Apodrecendo. Fugindo da realidade Medo de ultrapassar limites Medo de tentar arriscar-se na vida Arriscar - foi riscado do vocabulário Lentamente, pessoas apodrecem
Pessoas presentes em corpos Pessoas mortas de espírito frutas podres caídas no chão.
Marília Araújo Reül
Sol que descansa aos poucos
céu laranja pássaros que voam para os fios. ________ fios _________ fios _________ ________ fios _________ fios _________
De pos tes
Que ligam-se. clareando ruas sem movimentos calmas assobio de homem empaletozado.
Horas preguiçosas. tic tac andam com tic tac tic tac passos curtos tic tac tic tac horas sono tic tac tic tac lentas tic tac
Da pedra mais alta, observo.
Minha pequena cidade do Sertão recebendo a noite.
Marília Araújo Reül
Não preciso gritar. Não preciso obstruir a passagem de outros pequenos poetas. Não preciso cair na tentação de perder-me em caminhos desconhecidos. Não preciso desesperar-me loucamente ao tropeçar na primeira pedra.
Aparecerei aos poucos. Miudezas e cacos que se juntarão. Chegar a formar um só. Um todo.
Não importará o local que aterrizarei. Não importará se cantarei meus poemas sozinhas - por tempo indeterminado. Não importará a velocidade de minha propagação.
E quando eu parir meu primeiro filho literário, este sim, será o pioneiro de meu sucesso. Deste momento em diante:
Crescerei infinitamente.
Terei ao meu lado pessoas que serão encantadas pelas tristezas de meus escritos. Terei ao meu lado pessoas que chorarão com a alegria de minha conquista. Terei ao meu lado seguidores. Distraídos e atraídos pela simplicidade, pela magia, pelos mistérios que carregam as palavras.
Marília Araújo Reül
Caiu a noite. Transformações. Compões tua erupção: És vulcão, larva vermelho-sangue, explodes em ponto estratégico Cantas, gritas, sussurras, declamas poesia. Escondes o rosto entre os cabelos. Ensinas com o corpo o amor, a paciência da conquista, as palavras tornam-se dispensáveis. Cravas os dentes nos lábios.
Volúpias das madrugadas inquietas. Descansas em meu peito. És calmaria, balanço de ondas suaves. Sorris e adormeces.
Marília Araújo Reül
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